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Curso de Introdução ao Espiritismo Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec Parte 7 Provas da Reencarnação

Curso de Introdução ao Espiritismo Centre Spirite Lyonnais Allan KardecParte 7 Provas da Reencarnação

Em princípio, o esquecimento das existências anteriores é uma das
conseqüências da reencarnação. Todavia, esse esquecimento não é absoluto. Entre
muitas pessoas, o passado se encontra sob a forma de impressões, senão de
lembranças precisas. Essas impressões influenciam por vezes os nossos atos que
não proveem nem da educação, nem do meio, nem da hereditariedade. Nesse número
podemos classificar as simpatias e as antipatias súbitas, as intuições rápidas,
as idéias inatas. Basta nos interiorizarmos, estudarmo-nos com atenção, para
reencontrarmos em nossos gostos, nossas tendências, nos traços de nosso caráter,
numerosos vestígios desse passado. Infelizmente, poucos entre nós, se entregam a
esse exame de uma maneira metódica e atenta.

Há mais. Pode-se citar, em todas as épocas da história, um certo número de
homens que, graças a disposições excepcionais de seu organismo psíquico,
conservaram lembranças de suas vidas passadas. Para eles, a pluralidade das
existências não é uma teoria; é um fato diretamente percebido.

Reencarnação é um fato bem conhecido que Pitágoras lembrava-se de pelo menos três de suas
existências e dos nomes que tinha em cada uma delas: ele declarava haver sido
Hermotine, Euphorbe e um dos Argonautas. Júlio, dito o Apóstata, tão caluniado
pelos cristãos, mas que foi, em realidade, uma das grandes figuras da história
romana, se recordava de haver sido Alexandre da Macedônia. Empédocles afirmava
que, quanto a ele, “se lembrava de haver sido sucessivamente rapaz e moça.

Na Idade Média, encontramos esta faculdade em Jérôme Cardan.

Entre os modernos, Lamartine declarou, em sua Viagem ao Oriente, haver
tido reminiscências bastante nítidas de um passado distante.

Às reminiscências de homens, ilustres nas maior parte, é preciso acrescentar
aquelas de um grande número de crianças.

Aqui, o fenômeno se explica facilmente. A adaptação dos sentidos psíquicos ao
organismo material, a partir do nascimento, se opera lenta e gradualmente. Ela
não está completa senão aos sete anos; mais tarde ainda em certos indivíduos.

Até essa época, o espírito da criança, vive ainda, em certa medida, a vida do
espaço. Ele desfruta de percepções, visões que impressionam por vezes o cérebro
físico com clarões fugidios. É assim que pudemos recolher de certas bocas
juvenis alusões às vidas anteriores, descrições de cenas e de personagens que
não tinham nenhuma relação com a vida atual desses jovens seres.

Essas visões, essas reminiscências se esvanecem geralmente com a idade
adulta, quando a alma da criança entra em plena posse de seus órgãos terrestres.
Então, é em vão que se interroga sobre essas lembranças fugazes. Toda
transmissão das vibrações perspirituais cessaram; a consciência profunda se
tornou muda.

Entretanto, a despeito das dificuldades materiais, vê-se produzir em certos
seres, desde idades bem tenras, faculdades de tal modo superiores e sem nenhuma
relação com as de seus ascendentes, que não se pode, malgrado todas as sutilezas
da casuística materialista, relacioná-las a alguma causa imediata e conhecida.

Freqüentemente temos citado o caso de Mozart, executando uma sonata ao piano
com quatro anos e, aos oito, compondo uma ópera. Paganini e Teresa Milanollo,
ambos crianças, tocavam violino de maneira maravilhosa. Liszt, Beethoven e
Rubinstein foram aplaudidos aos dez anos. Miguel Ângelo e Salvador Rosa
revelaram, repentinamente, terem talentos improvisados. Pascal, aos doze anos,
descobriu a geometria plana, e Rembrandt, antes de saber ler, desenhava como um
grande mestre.

Henri de Heinecken, nascido em Lübeck em 1721, fala quase ao nascer. Aos dois
anos, sabia três línguas. Aprendeu a escrever em poucos dias e logo se exercita
para pronunciar pequenos discursos. Aos dois anos e meio, se submeteu a um exame
de geografia e história, antiga e moderna. Vivia apenas do leite de sua ama de
leite; tentou-se desmamá-lo, ele se depauperou e faleceu em Lübeck no dia 27 de
junho de 1725, no curso de seus cinco anos, afirmando suas esperanças na outra
vida. “Ele estava, dizem as Memórias de Trevoux, delicado, enfermo,
freqüentemente doente.” Este jovem fenômeno teve a plena consciência de seu fim
próximo. Falava com uma serenidade pelo menos tão admirável quanto a sua ciência
prematura, e queria consolar seus pais dirigindo-lhes encorajamentos retirados
de suas crenças comuns.

O professor Ian Stevenson, diretor do departamento de psicologia da
Universidade de Charlotesville (Estado de Virgínia) levantou mais de 1600 casos
de regressão a vidas anteriores. Os vinte mais flagrantes entre eles foram
reportados em sua obra : 20 casos sugerindo o fenômeno da Reencarnação.

A possibilidade de trazer à consciência de um indivíduo em transe as
lembranças anteriores ao nascimento foi assinalada pela primeira vez no
Congresso Espírita de Paris, em 1900. O coronel de engenharia A. de Rochas,
antigo administrador da Escola Politécnica, se ocupou bastante desse gênero de
experimentação; ver em seu livro: As Vidas Sucessivas.

Vale anotar:

  • Pode-se citar como provas da reencarnação : as reminiscências e as
    lembranças, as reconstituições das vidas anteriores sob hipnose e as
    faculdades incríveis dos pequenos « gênios ».

Para saber mais:

 

    • La Réincarnation de Gabriel Delanne (ch. XIII, Vue d’ensembles des
      arguments qui militent en faveur de la Réincarnation
      )

 

    • O Problema do Ser e do destino Léon Denis (2ª parte, cap. XIV, As
      Vidas sucessivas.
      Provas experimentais. Renovação da memória)

 

    • O Problema do Ser e do destino Léon Denis (2ª parte, cap. XV, As
      Vidas sucessivas.
      As crianças prodígios e hereditariedade)

 

    • Spiritualisme vers la lumière de Louis Serré (Vivons-nous plus
      d’une vie ?
      , page 106)

 

    • Les Cathares et la Réincarnation du Dr Guirdham

 

    • 20 cas suggérant le phénomène de la réincarnation de Ian Stevenson

 

  • Les vies successives de A. de Rochas

 

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