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Saiba Como Ensinar Espiritismo no Centro

Saiba Como Ensinar Espiritismo no Centro

Houve um tempo – felizmente distante – em que se discutia no movimento
espírita brasileiro a oportunidade de se instituir cursos de doutrina espírita.
Embora Allan Kardec fosse claramente favorável a eles, havia quem discordasse de
sua utilidade, vendo aí inúmeros males, com argumentos do tipo “o Espiritismo
não possui professores” ou condenando a priori qualquer possível intenção de
distribuição de diplomas aos alunos. Ficou célebre o fracasso de Bezerra de
Menezes, na Federação Espírita Brasileira, quando tentou instituir um curso
doutrinário, pela primeira vez no país, frustrando-se porque não apareceram
alunos, só professores!

Esse tempo passou. Cerca de meio século depois da tentativa pioneira de
Bezerra, Edgard Armond instituiu na Federação Espírita do Estado de São Paulo as
famosas Escolas de Aprendizes do Evangelho e Escolas de Médiuns, conseguindo
assim romper com as barreiras e dar rumo definitivo aos cursos regulares da
doutrina nas instituições espíritas. As discussões, principalmente os argumentos
contrários aos cursos, caíram de moda. Os adversários cessaram de falar.
Surgiram outras preocupações: o conteúdo, os métodos, os alunos etc.

Embora estejamos distantes do tempo em que a validade dos cursos era posta em
questão, a verdade é que ainda existem muitas instituições onde o estudo do
Espiritismo, propriamente dito, ou não existe ou é feito de maneira pouco
produtiva. E mais. O interesse pelo estudo é colocado em segundo plano, sendo
superado por atividades que deveriam ser complementares do aprendizado, como a
assistência social, a espiritual e outras. Convivemos ainda, com alguns
dirigentes que colocam suas prioridades nas atividades mediúnicas, unicamente,
desinformados da importância do desenvolvimento cultural dos freqüentador.
Diante disto, é bom frisar com todas as letras: a atividade mais importante de
um centro espírita é o ensino da doutrina. Isso é indiscutível, no sentido exato
do termo. O passe, a cura, a assistência social, a comunicação com os espíritos,
a desobsessão, tudo isto tem sua importância relativa na casa espírita e nenhuma
dessas atividades supera em valor e resultados o ensino da doutrina. Não se
trata de estabelecer comparações, simplesmente. O fato é por si só contundente.

Não estamos aqui desejando unicamente dar validade à afirmação de Emmanuel, a
favor da divulgação (e, portanto, ensino) do Espiritismo. O ensino da doutrina é
questão fundamental.

Como ensinar a doutrina?

Todo dirigente deve partir de um ponto claro: ninguém sabe tanto que não
necessite aprender, ninguém sabe tão pouco que não possa ensinar. Ou seja, todos
nós temos sempre o que aprender, ao mesmo tempo em que o que já aprendemos
podemos ensinar. O que não se pode admitir é que tentemos ensinar aquilo que não
conhecemos bem ou que, pior ainda, imaginamos que conhecemos. Assim como o
professor de qualquer nível precisa conhecer bem a matéria de sua disciplina, o
expositor espírita também deve fazê-lo. Portanto, a primeira providência a tomar
é estudar o Espiritismo para depois ensiná-lo.

A forma ideal de ensinar é assumir uma postura de simplicidade nas colocações
dos temas, de forma que não pareça que o expositor sabe o assunto, antes, ele
estimula a que o grupo se interesse a chegar aos objetivos das aulas através de
um esforço mental de cada membro. O expositor apenas coordena esse esforço e
corrige as distorções normais.

O que ensinar?

A doutrina, é óbvio. Sim, a doutrina, mas… começando por onde? Pela
história? Pela parte filosófica de “O Livro dos Espíritos”? Pelo “Livro dos
Médiuns” ou pelo “Evangelho Segundo o Espiritismo”? Falando dos Espíritos ou da
vida após a morte? Eis aí uma série de questões que parecem complicadas, que o
bom senso é capaz de esclarecer.

Antes de mais nada é preciso ficar claro que as pessoas que frequentam um
centro espírita têm com todas as imprecisões possíveis noções de
espiritualidade, de vida após a morte, de espíritos, enfim, de uma série de
coisas que se diferenciam no Espiritismo apenas por nomenclatura própria e
conceitos mais exatos. Isso significa que essas pessoas não vão ao centro com a
cabeça vazia, oca; os seus conceitos é que estão equivocados. Então, é preciso
contar com esta realidade para poder ensinar a doutrina.

Deve-se, pois, dar-lhes a doutrina em doses exatas, partindo de princípios
racionais (ao final, ofereceremos um curso desenvolvido para principiantes
espíritas, com excelentes resultados na prática). O melhor a fazer é tomar de um
programa já existente, cuja aplicação tenha dado bons resultados, ou então
montar o próprio programa, com base na experiência pessoal. Os livros espíritas
montados para ensinar a doutrina, como os da Federação Espírita do Estado de São
Paulo, nem sempre são bons, pois eles trazem modelos prontos do que falar e até
como falar, quando na verdade o bom método deixa ao expositor a incumbência de,
seguindo o programa e a bibliografia, usar dos seus recursos individuais para
fazer a exposição, sem ter que obedecer a critérios mecanizados.

A quem ensinar?

Bem, eis aqui um pouco que tem gerado muita controvérsia. A bem da verdade, a
questão é mais simples do que se pensa. Quando alguém chega ao centro espírita
deve ser recebido por pessoa preparada para isso, que lhe ouve as intenções e a
encaminha ao trabalho mais adequado. Não tem bom senso a afirmativa de que todos
as pessoas que procuram um centro espírita tem problemas de ordem espiritual e
que, portanto, devem ser encaminhadas a um tratamento.

Conhecemos casos de indivíduos que procuraram o centro espírita movidos pelo
interesse de estudar a doutrina. Não precisaram de tomar passes.

Quando as pessoas são encaminhadas a tratamentos, elas não devem ficar
indefinidamente sob a ação destes tratamentos. Deve haver um momento em que
elas, livres dos problemas, estejam em condições de participar de um grupo de
estudos para o qual serão encaminhadas. Dentro deste pensamento, raros serão
aqueles que deixarão de estudar a doutrina, ainda que sejam analfabetos.

Em um grupo do qual participamos, reunimos para experiência 12 alunos que
estavam começando na doutrina, sendo: dois universitários, três analfabetos,
três com nível secundário incompleto e quatro com apenas o primário. Entre
estes, existiam dois que aparentemente não reuniam nenhuma condição para
estudar, por seus problemas espirituais. Ainda assim os mantivemos.

O curso é o mesmo que vem abaixo. O objetivo era a introdução de uma nova
linguagem, capaz de alcançar a todos indistintamente, de modo a que ao final se
pudesse ter um quadro de resultados. Após as 16 aulas, os alunos se apresentaram
assim: desistência: 1 (motivo: mudança de São Paulo. Após o encerramento do
curso essa criatura retornou ao centro e recomeçou o estudo); incorporados ao
quadro de trabalhadores da casa: 11 (assim distribuídos: assistência espiritual,
3, trabalhos na cozinha, 2, trabalho no Bazar, 1, evangelização, 1, outras
atividades, 4); interessados em prosseguir com novos estudos: 11; nível de
apreensão dos conhecimentos: muito bom (entre as formas de medição, destaque
para a continuada discussão dos assuntos tratados, mesmo após o encerramento do
curso, além da melhoria do nível de discussão e participação no estudo público,
em que todos devem participar uma vez por semana).

Durante todo o curso se procurou explorar o que cada aluno poderia dar. Nas
tarefas distribuídas, os analfabetos eram estimulados a falar, já que não
poderiam escrever. As aulas eram de hora e meia, com trinta minutos de exposição
do assunto e 60 minutos de discussão em grupo. A abertura e o encerramento das
aulas eram feitos através de prece, sempre por um aluno escolhido na hora
(quando não apareciam voluntários). Após a quinta aula, como estava previamente
estabelecido, já o grupo entrou em atividades práticas de vibrações (neste
momento, o curso já lhes havia dado a bagagem mínima para praticar esta
atividade de forma consciente e com bom nível de concentração. Atividades como
esta tendem a estimular o grupo, pois ele sente que há um resultado prático
naquilo que está aprendendo).

Montagem de programa

Os dirigentes interessados em montarem o seu próprio programa de cursos,
devem levar em consideração que o Espiritismo, como qualquer ramo do
conhecimento, não possui assuntos estanques, isto é, tudo no Espiritismo se
entrelaça. Portanto, esse negócio de estudar isoladamente os livros e os temas
têm seus inconvenientes, que serão prejudiciais se não forem superados a
contento. Os cursos espíritas tendem mais para os conhecimentos gerais da
doutrina do que para conhecimentos específicos. Estes somente terão bom
resultado quando a parte geral for bem aprendida pelos alunos.

Assim, é preciso pensar a nível de:

  1. Bases do Espiritismo ou “A Chave do Espiritismo”;
  2. Conhecimentos gerais da doutrina;
  3. Conhecimentos específicos: relação com os desencarnados (aí entrando a
    mediunidade), o Cristo e o Espiritismo (Evangelhos) etc.
  4. Estudos avançados: Filosofia, Ciência e Religião e correlatos.

Estudo público do Evangelho

Embora não constitua curso regular, convém abordar este aspecto utilizado
largamente nas atividades dos centros espíritas. E desde já afirmando que as
palestras públicas com uso do “Evangelho Segundo o Espiritismo”, antecedendo ou
não os tratamentos espirituais (passes), exigem de quem as faz duas condições
básicas: comportamento digno e conhecimento do assunto. Além disto, capacidade
de raciocinar e trazer para o dia-a-dia as informações cristãs aliadas ao
ensinamento doutrinário. Note bem, a Doutrina Espírita é o passo à frente do
cristianismo. Portanto, acresce a este umas tantas informações importantes que,
não utilizadas, tornam a palestra uma repetição de interpretações de outras
doutrinas.

E não nos referimos apenas a questões genéricas, como reencarnação,
mediunidade etc. Falamos da interpretação propriamente, em que não podem faltar
os ingredientes que fazem parte da vida cotidiana e que o Espiritismo aprofunda
como nenhuma outra doutrina: o Espírito, o Pensamento e os Fluidos. Estes três
princípios, aliados aos demais da doutrina, oferecem amplas condições de ensino
efetivo, com alcances inimagináveis. É preciso atentar para isso, a fim de fugir
da rotina, das interpretações repetitivas, que fazem muitas vezes os nossos
centros espíritas parecerem templos religiosos do passado.

Cursos para colaboradores

A rigor, os colaboradores de uma casa espírita deveriam antes ou, no mínimo,
enquanto colaboram em alguma atividade, estar freqüentando algum curso
doutrinário, seja o básico, seja um curso mais adiantado. Após a conclusão
desses cursos, entretanto, é certo que todo colaborador deveria passar por
períodos de reciclagem do conhecimento doutrinário, não só para reforço como
também para atualização. Isto deve acontecer com relação a tarefas específicas
ou não. Explicando: se o colaborador integra uma equipe de passes, o assunto
deve ser objeto de revisão ao menos uma vez por ano, à luz da doutrina espírita
e à luz de novos conhecimentos que possam surgir fora do âmbito doutrinário. Da
mesma forma deve acontecer em outras áreas, como reuniões mediúnicas,
desobsessão etc. Em Espiritismo, é importante que ninguém se imagine com o saber
total, a ponto de não precisar estudar e reestudar.

Um exemplo talvez sirva bem aqui: o passista, ao longo do tempo, tende a
tornar mecânico o ato de dar o passe, ou então ele passa a ser dispersivo com
relação à concentração no momento de executá-lo. Em ambos os casos, o curso
poderá trazê-lo de volta à prática efetiva, com vantagens indiscutíveis para a
qualidade do passe. Fatos idênticos poderão ocorrer em relação a outras áreas de
atividades, reclamando, pois, o reaprendizado ou coisa que tal.

A Chave do Espiritismo

Apresentamos, a seguir, o programa do curso, com o título acima, que
desenvolvemos para a Sociedade Espírita Anália Franco, de São Paulo, da qual
participamos como Diretor de Doutrina e Vice-presidente. Aqueles que desejarem
aplicá-lo em suas casas poderão fazê-lo livremente. Se desejarem, poderemos
orientar na preparação do curso e, inclusive, na orientação dos expositores.
Leve-se em consideração que a conduta durante o curso do expositor é fundamental
para o seu bom desenvolvimento. Ei-lo:

Explicação

Este curso pretende ser um laboratório. É, portanto, uma experiência. Quase
todos os cursos doutrinários conhecidos partem da história do Espiritismo para
chegar à doutrina, dentro da concepção de que o aluno nada sabe sobre a doutrina
e precisa portanto começar pelo estudo da história. Nós partiremos de outra
premissa. Para nós, o aluno não será uma pessoa totalmente ignorante das coisas
espíritas, mas alguém que tem noções, não importa se claras ou confusas, da
doutrina. Além disso, o aluno será considerado como alguém que traz em si todo
um vocabulário naturalmente desenvolvido a partir do que ouviu, leu ou discutiu
sobre formas de religião.

Termos como “espírito”, “batismo”, “céu”, “inferno”, “pecado”,
“reencarnação”, “vida espiritual”, “mediunidade”, “médium”, “fluidos”,
“pensamento”, “carma” etc. não devem ser totalmente desconhecidos dele. A
intenção, neste curso introdutório, é estabelecer uma linguagem e analisar os
pontos capitais do conhecimento espírita, de forma a ajudar ao aluno a modificar
a compreensão que tem de todos esses termos e alcançar, assim, a capacidade de
compreender o Espiritismo. Ou seja, nós vamos tentar explorar aquilo que o aluno
já possui, utilizando esse conhecimento para fortalecer o Espiritismo em sua
mente. Esse ponto é muito importante. Para nós o aluno não é portador de uma
mente vazia, mas alguém que possui conhecimentos formados, muitos deles próximos
daquilo que a doutrina fornece. Nós precisamos usar esses conhecimentos para
termos facilidade de levá-los a conhecer o Espiritismo.

Isso não quer dizer que não daremos a ele as linhas da história espírita.
Absolutamente. Daremos, mas não como ponto fundamental para a sua compreensão e
sim como informações complementares, que ajudarão o aluno a compreender melhor
as coisas.

Cuidados necessários

Alguns cuidados por parte dos expositores são absolutamente necessários:

1 – Estar sempre afinado com os alunos, utilizando apenas a terminologia
acessível a ele. No caso de necessidade de uso de palavras desconhecidas da
maioria, utilizar a técnica da repetição com explicação.

2 – Não fugir do tema, pelo contrário, persegui-lo do princípio ao fim. A
técnica para não sair do assunto é, primeiro, concentração e, segundo, falar
como se você mesmo não soubesse e estivesse estudando em conjunto com eles.

3 – Usar sempre que possível exemplos simples e claros aos olhos do aluno.
Não se preocupar em mostrar conhecimentos elevados, mas cuidar de mostrar um
Espiritismo simples, sem cair no pieguismo nem nas interpretações simplórias.

4 – Usar da técnica de comunicação, preocupado sempre com os problemas que
podem acontecer nos três pontos principais: Emissor (quem fala) – pode estar
falando sem que a pessoa do outro lado esteja compreendendo; pode estar fugindo
do tema sem perceber, prejudicando o aluno no seu acompanhamento; pode estar
empostando a voz como se fosse um orador, roubando ao aluno a liberdade de
participar; Canal – a sua voz pode estar em tom elevado ou baixo demais,
prejudicando a audição; a sua gramática pode estar gerando problemas de
decodificação, ou seja, o aluno não entende o que você fala; Receptor – poderá
estar com problemas que dificultam o seu acompanhamento das aulas; poderá não
ter vontade de prosseguir no curso etc. Os problemas de comunicação devem ser
analisados, de modo a beneficiar o desenvolvimento do curso.

5 – Estudo prévio: se você não estudar com calma e antecipadamente o assunto
do dia, tenha a certeza de que você não terá condições de dar uma boa aula.
Estudar antecipadamente tema por tema é fundamental nesse tipo de proposta.

6 – Seja didático. Fale com encadeamento, pensando, perseguindo um pensamento
até alcançá-lo por inteiro. Use a lousa, faça desenhos, conte histórias (sempre
ligadas ao tema). Enfim, torne o ambiente agradável e estimulante, para o aluno
sentir vontade de estudar.

Temas do primeiro ciclo

Aula 1

A chave do Espiritismo

Explicação geral, não pormenorizada, dos três pontos capitais que constituem
a chave do Espiritismo: Espírito, pensamento e energia (formam a “chave do
Espiritismo”).

Bibliografia básica: A Gênese, cap. XIV, Os Fluidos. Não detalhar aqui a
importância e formação do perispírito. Isso deverá ser feito na aula seguinte.
Aqui se menciona, apenas, a existência desse corpo e sua natureza, mas não se
entra em minúcias sobre ele.

Aula 2

O que é o Espírito

Estudo do Espírito e seus atributos segundo o Espiritismo, dentro do conceito
de que o ser encarnado é também um Espírito.

Bibliografia básica: O Livro dos Espíritos, Segundo Livro, Cap. I, 76 a 99.
Não entrar em Escala Espírita. Isso será feito em aula específica. Cap. II, item
II, da Alma, 134 a 146a. A Gênese, Cap. XIV, Os Fluidos; O Livro dos Médiuns,
Cap. I.

Aula 3

O que é o pensamento

Estudo do pensamento, utilizando informações científicas, filosóficas etc.,
sempre com base no cotidiano da pessoa humana.

Bibliografia Básica: A Gênese, Cap. XIV, Os Fluidos; Pensamento e Vida
(Emmanuel); Pensamento e Vontade (Ernesto Bozzano); O Livro dos Espíritos, Livro
Segundo, Cap. IX, Intervenção dos Espíritos no mundo corpóreo.

Aula 4

O que são fluidos

Estudo sobre a energia segundo definição de Allan Kardec. Seu uso positivo e
negativo. A ação do pensamento, combinada com o Espírito.

Bibliografia Básica: A Gênese Cap. XIV, Os Fluidos.

Aula 5

O que são Leis da Natureza

Estudo das Leis e seu relacionamento com o mundo e o ser que nele habita. As
11 leis devem ser enfocadas de forma geral, apenas no sentido de dar uma visão
ampla da vida.

Bibliografia Básica: O Livro dos Espíritos, Livro Terceiro, As Leis Morais.

Aula 6

As Leis mais diretamente ligadas ao ser humano e seu comportamento

Estudo das Leis que têm ação direta sobre o comportamento do ser humano e que
participam do seu dia-a-dia.

Bibliografia Básica: O Livro dos Espíritos, Livro Terceiro, As Leis Morais:
Lei do Trabalho, Lei de Progresso, Lei de Justiça, Amor e Caridade.

Aula 7

A relação homens/Espíritos

Estudo das influências recíprocas entre os homens e os Espíritos, trazendo
para o dia-a-dia.

Bibliografia Básica: O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, Cap. IX; A Gênese,
Cap. XIV, Os Fluidos.

Aula 8

A Mediunidade

Estabelecer a influência dos Espíritos e relacionar o assunto com a
Mediunidade, mostrando a diferença entre mediunidade real e mediunidade geral.

Bibliografia Básica: O Livro dos Médiuns, A. K.; Nos Domínios da Mediunidade,
A. Luiz; Mediunidade, E. Armond.

Aula 9

A Reencarnação

Exposição geral da Reencarnação, sem fixar pontos que devam ser estudados
separadamente.

Bibliografia Básica: O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, Cap. IV e V.

Aula 10

Reencarnação x Expiação

Estudar em sua amplitude a reencarnação e a questão da expiação.

Bibliografia Básica: a mesma da aula anterior.

Aula 11

Reencarnação x Prova

Idem

Aula 12

Reencarnação x Evolução

Idem

Aula 13

Reencarnação x Missão

Idem

Aula 14

A Hierarquia Espiritual

Estudar a hierarquia dos Espíritos, relacionando-a com a vida na Terra.
Aprofundar a questão da “autoridade moral irresistível”.

Bibliografia Básica: O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, Cap. I, Escala
Espírita, 100 a 113.

Aula 15

A Perfeição Moral

O conhece-te a ti mesmo explicado com base em tudo o que já foi estudado.

Bibliografia Básica: O Livro dos Espíritos, Livro Terceiro, As Leis Morais,
893 a 919.

Aula 16

Revisão do curso

Discussão com os alunos para aferição daquilo que ficou retido como
entendimento do Espiritismo.

Exercícios para os Alunos

  1. Ao final da 4ª aula – O que é a chave do Espiritismo e por quê? –
    Desenvolver o tema por escrito e entregá-lo na 6ª aula.
  2. Ao final da 6ª aula – A História do Espiritismo – Desenvolver o tema por
    escrito e entregá-lo na 9ª aula.
  3. Ao final da 13ª aula – O que é reencarnar? – Desenvolver por escrito e
    entregar na 15ª aula.
  4. Estudo para as férias: Conduta Espírita, de André Luiz, e Vida e Sexo, de
    Emmanuel.

Nota:

1 – Os alunos deverão ser incentivados a comprar os livros básicos da
Codificação e a estudar antecipadamente cada tema de aula.

2 – Os alunos deverão receber, no início do curso, todo o programa.

3 – A partir da 5ª aula, estender o curso para 1 hora e 45 minutos e utilizar
os 15 minutos a mais para um exercício de vibração. Estimular os alunos a
levarem nomes de pessoas necessitadas, incluindo-os entre os beneficiários da
vibração e, se possível, ao final do curso, verificar se houve alguma melhoria
nas condições deles.

Conclusão

Apenas para conhecimento dos interessados, reproduzo abaixo um material que
foi objeto de estudo em evento específico, apropriado para este instante. Os
interessados na história do movimento espírita poderão ter um esboço no tema
apresentado por mim no quinto Entrade, realizado em 1992.

EDUCAÇÃO ESPÍRITA

Introdução

Houve um tempo em que o movimento espírita discutia, com bastante ênfase, a
oportunidade da criação nos Centros Espíritas dos “Cursos Regulares”. É
conhecida a posição contrária de muitos dirigentes espíritas, que agiam
principalmente até meados do presente século, no sentido de não permitir que tal
fato viesse a acontecer, entendendo que o ensino regular da doutrina seria um
elemento desfavorável à sua propagação. Pensavam estes que qualquer conhecimento
doutrinário deveria ser adquirido através de esforços individuais, com um apoio
mínimo do Centro Espírita, através apenas de palestras, estudos não
sistematizados, livres, portanto, realizados de maneira aleatória.

Contrários a eles, havia aqueles que entendiam, baseados inclusive em
afirmações de Allan Kardec, que o ensino regular viria a proporcionar enormes
avanços na divulgação doutrinária e, mais do que isso, na compreensão precisa do
Espiritismo. Bezerra de Menezes, como se sabe, tentou materializar este
pensamento, criando na Federação Espírita Brasileira um curso regular em fins do
século passado, sendo, porém, desestimulado pela falta de interessados no
assunto.

Cerca de 50 anos se passaram, até que, em 1950, estes cursos se estabeleceram
em São Paulo, tendo no Sr. Edgard Armond um de seus defensores e principais
responsáveis. Timidamente, a princípio, e depois com certa rapidez, os cursos
regulares se firmaram, espalhando-se em muitas casas espíritas.

Estava, pois, vencida a batalha de sua introdução. Pouco a pouco, todas as
resistências foram superadas e, em seu lugar, surgiram outras solicitações: ao
invés da postura contrária apareceram propostas de ensino regular, levando em
consideração as circunstâncias especiais de cada casa doutrinária, sua posição
geográfica, a cultura e o grau de conhecimento do freqüentador etc. A
necessidade de observar com rigor os postulados espíritas no ensino apareceu
como bandeira, desfraldada por espíritas de peso, entre eles, Herculano Pires,
que condenavam desde a disposição de serem distribuídos certificados de
conclusão dos cursos, pela sua inoportunidade e pelos riscos que tal fato
acarretava, até a introdução nos mesmos não só de termos, como do próprio
conhecimento esotérico.

A nenhum adepto de bom senso pareceria de bom alvitre o curso diplomar, por
exemplo, um médium; mas, existiam aqueles que, motivados pelo ensino leigo,
entendiam que tal certificado não traria nada de negativo para a doutrina.
Etapas como essa também foram vencidas. As campanhas contra pensamentos dessa
natureza tiveram êxito, reduzindo ao silêncio (parece que definitivo) os bem
intencionados defensores do diploma e que tais. Entramos, pois, em outra fase: a
da expansão dos cursos regulares com mais força e do aparecimento de propostas
de cursos em diversos pontos do movimento espírita nacional. Alguns mais
refinados, outros mais populares, o fato é que a questão interessou inclusive o
Plano Espiritual, que em algumas ocasiões remeteu mensagens de estímulo e de
crítica. Estímulo a que os cursos regulares pudessem interessar a um número cada
vez maior de pessoas; crítica, nos momentos em que, por exemplo, o perigo da
elitização rondava estes cursos, através de propostas vindas de fontes bem
intencionadas mas sem o devido cuidado.

Entramos, finalmente, numa fase também importante – a da preocupação com o
aprimoramento da parte programática dos cursos, tendo em vista diversos fatores,
entre eles, o de oferecer aos estudiosos uma visão realista e não deformada da
História do Movimento Espírita. Realista, por ser necessário informar sobre os
caminhos do movimento sem valorizar as cisões ou mitificar os personagens
proeminentes dessa história; mostrar os percalços sem negar a oportunidade de
conhecimento de quaisquer deles; analisar os caminhos com a preocupação de
conhecê-los em seus aspectos variados; enfim, fazer conhecer a história para que
ela valorize a postura individual e coletiva dos participantes do curso.

A História do Movimento Espírita nos Programas de Ensino

Uma rápida observação sobre os diversos programas de ensino do Espiritismo
nos cursos regulares nos mostrará dois aspectos relevantes: a total ausência do
elemento histórico, de um lado, e a sua redução a fatos e personagens isolados,
de outro. Não importa analisar as razões desse fato, mas, aí sim, o que disto
resulta para os participantes.

A total ausência do elemento histórico pode ser observada nos programas em
que o ensino espírita parte da valorização de informações coletadas nas obras
básicas, sem qualquer preocupação com as raízes dos fatos que deram origem ao
Espiritismo (quando muito, há repetições de lugares comuns) nem com o seu
desdobramento na França e além-fronteiras, principalmente no Brasil. Ao
participante do curso passa-se a falsa noção de que o antes e o depois são
questões desnecessárias. Assim, quando este indivíduo conclui o curso – ou mesmo
no andamento deste – e se põe no trabalho doutrinário, vê-se de frente com fatos
e situações inusitados e para ele às vezes chocantes, podendo levá-lo até mesmo
à desistência de continuar no movimento.

Talvez tão grave quanto isto seja o ensino da história do movimento (muitas
vezes confundida com História do Espiritismo), com base em fatos isolados e
personagens de destaque. Por exemplo, em alguns cursos (e até no curso de
palestras isoladas), a figura de Bezerra de Menezes é tratada com tal
descaracterização que acaba por ser aprendida pelos participantes como se
Bezerra não tivesse vivido na Terra e fosse um ser divino. No mesmo caminho
seguem outros personagens e fatos diversos.

Distante pelo tempo do foco dos acontecimentos, o participante é levado a ter
uma imagem irreal tanto dos fatos quanto dos personagens. Se, a partir daí,
tenta incorporá-los à sua vida, tomando-os como paradigmas, pode se ferir
gravemente ao chocar-se com uma realidade para a qual não foi preparado ou mesmo
alertado.

Embora inexistam pesquisas sobre o assunto, experiências inúmeras demonstram
que ex-participantes de cursos doutrinários, tão logo se puseram a campo,
ficaram perdidos no emaranhado de situações totalmente desconhecidas para eles.
Situações, bem entendido, não doutrinárias mas de caráter estritamente do
movimento espírita.

A Importância da História do Movimento Espírita

A história do movimento espírita, que tem início no primeiro imediato momento
do lançamento de “O Livro dos Espíritos” e se desenrola até os nossos dias (no
Brasil, ela começa com a chegada das primeiras notícias da existência da
doutrina), é um conjunto de fatos e personagens, em seqüência de acontecimento,
que mostra o uso, pelo homem, dos novos conhecimentos. A apreensão e a aplicação
desses conhecimentos vão levar os indivíduos a se tornarem adeptos e a
multiplicarem a sua propagação, seja através do anúncio da existência desses
novos conhecimentos, seja através da criação de grupos informais e formais de
estudo da doutrina.

A História do Movimento Espírita, que em muitos momentos se mistura com a
própria História do Espiritismo, é a demonstração clara da relação do homem com
a doutrina e o meio em que vive. A partir do momento em que adere aos novos
conhecimentos, o indivíduo passa a usá-los como instrumento de modificação da
sociedade. A forma como o faz dá surgimento a uma nova história, ou uma nova
parte da história – é a História do Movimento Espírita.

Um olhar objetivo para essa história resulta, para quem o faz, numa
oportunidade de compreensão dos limites do próprio homem e pode, com certeza,
levar muitos a romperem com esses limites, que é a finalidade maior da Doutrina
Espírita. O conhecimento dessa história leva, no mínimo, a uma visão realística
dos caminhos do homem, o que implica em viver e praticar a doutrina, divulgá-la
e ensiná-la com os pés fincados e bem firmes no solo.

Conclusão

O Ensino Regular do Espiritismo se encontra, segundo pensamos, num ponto em
que questões como a História da Doutrina Espírita e História do Movimento
Espírita não podem ficar ausentes do estudo, bem como não podem ser manipuladas
ou apresentadas no seu foco parcial ou deformado, sob pena de se ensinar
Espiritismo de maneira incompleta.

Compete, pois, a todos aqueles que estão, de uma forma ou de outra, ligados à
área da Educação Espírita, propugnarem pela melhoria do ensino espírita nas
casas doutrinárias, a partir da preocupação com o aspecto histórico e com os
demais aspectos que, por qualquer razão, se encontram ausentes dos programas de
ensino. Somente uma consciência mínima desta realidade poderá levar à superação
de determinadas barreiras, assentadas muitas vezes em interesses de grupo, que
dificultam a que a história faça parte dos currículos dos cursos doutrinários.
Mais do que qualquer outro indivíduo, o espírita deve ser aquele que não teme o
passado, o presente ou o futuro. Como, aliás, o cristão idealizado pelo Cristo.

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