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Umbanda não é Espiritismo

Umbanda não é Espiritismo

 

Origem, conteúdo doutrinário e prática ritual, estabelecem as diferenças
fundamentais entre o Espiritismo e Umbanda. Apesar da clareza dessas distinções,
isso não deve ser razão impossibilitante para que entre Espíritas e Umbandistas
haja respeito mútuo, espírito de compreensão e sensatez, embora essa tolerância
não deva resultar em conivência ou omissão.

Deolindo Amorim, em seu livro “O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas”
(1), conclui, afirmando: “O Espiritismo é uma doutrina que se basta a si
mesma, sem empréstimos nem acréscimos artificiais.”.

A luz dessa precisa orientação, observamos que nem mesmo nos arraiais
espíritas essa diferença é feita, especialmente pôr aqueles que não se dão ao
trabalho de estudar a Doutrina, sem falar em parte da imprensa leiga que, de
propósito ou não, anuncia tudo o que ocorre nas tendas e terreiros, como sendo
Espiritismo, disso se beneficiando os opositores sistemáticos da Doutrina
Espírita que esperam levar vantagem com a confusão estabelecida.

Fala-se em “baixo Espiritismo” e “alto Espiritismo”; em
“Espiritismo de mesa” e “Espiritismo de terceiro”, etc., como se houvesse
mais de um Espiritismo!

Quanto a origem, sabemos que Espiritismo, doutrina codificada pôr Allan
Kardec, recebida de vários Espíritos Superiores no século passado,
caracteriza-se pôr um conjunto de princípios de ordem científica, filosófica e
religiosa, que objetiva o progresso espiritual do homem, com a implantação da
fraternidade entre todas as criaturas na Terra.(2)

A Umbanda se deriva, fundamentalmente, do culto religioso da raça negra da
velha África. Os seus princípios doutrinários são realmente frutos do
“folclore”,
dos provérbios, aforismos, das lendas, crenças populares,
canções e tradições do negro africano.

Com referência ao conteúdo doutrinário, sabemos que o Espiritismo se assenta
em postulados científicos, filosóficos e éticos, o que não se dá na Umbanda, que
não tem doutrina codificada, embora seus adeptos aceitem a imortalidade da alma,
a reencarnação e a lei de ação e reação (carma), como fazem os espíritas (2).

Quanto a prática ritual, a umbanda difere, essencialmente, do Espiritismo,
porque aquela atua no plano da natureza e este no do pensamento, pois que só o
Espírito conta, realmente. Aliás o Espiritismo não tem ritual de nenhuma
espécie, pois não admite corpo sacerdotal hierarquizado ou não, cerimônias
(batizados, casamentos e quaisquer outras); não se utiliza de fórmulas,
invocações, ou promessas de qualquer natureza; repele a adoração de imagens,
símbolos, amuletos; rejeita crendices e superstições e não admite pagamento pela
prestação de assistência espiritual ou de qualquer auxílio, que conceda aos
necessitados. (2)

As tentativas para fundamentar a introdução de rituais, incensos, imagens e
outros objetos de culto material no meio espírita invocam, sempre, um
pressuposto espiritualista, como generalidade, ou fazem apelo à tolerância. Não
há, entretanto, razão alguma para tais pretextos, uma vez que o Espiritismo,
pelas suas disposições doutrinárias, dispensa completamente qualquer forma de
ritual ou peças litúrgicas. (1)

Assim sendo, onde houver qualquer manifestação de culto exterior, não
existirá a verdadeira prática espírita
.

Apesar do louvável entusiasmo de alguns espíritas para a comunhão de seitas
religiosas no seio da doutrina, a mistura heterogênea sempre sacrifica a pureza
íntima da essência! A qualidade de substância espírita reduzir-se-ia pela
quantidade da mistura de outros ingredientes religiosos, mas adversos!

O Espiritismo, não é doutrina separativista, nem ecletismo religioso à
superfície do Espirito imortal! É, principalmente, um movimento de solidariedade
fraterna entre todos os homens! Pode ser ecletismo espiritual unindo em espírito
todos os credos e religiões, porque, também firma suas doutrinas e postulados na
realidade imortal. Mas seria insensato a mistura heterogênea de práticas,
dogmas, princípios e composturas devocionais diferentes, entre si, para
construir outro movimento espiritualista excêntrico.

A missão da Doutrina Espírita, enfim, é libertar o homem e não prendê-lo
ainda mais às fórmulas e superstições do mundo carnal transitório.

Finalizamos, fazendo nossas, as observações sensatas do Espírito Emmanuel,
através do médium Francisco Cândido Xavier, na mensagem “Doutrina Espírita”,
extraída do livro “Religião dos Espíritos”, concitando os Espíritas a
zelarem pela doutrina que professam:

“… Porque a Doutrina Espírita é em si a liberdade e o entendimento, há
quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e
com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que
veicula.

Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liberta, vigiando-lhe a
pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da
ignorância e nos crimes do pensamento.

“Espírita” deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste,
depois da queda.

“Espírita” deve ser a tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras
experiências.

“Espírita” deve ser o nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos
combates contigo mesmo.

“Espírita” deve ser o claro adjetivo de tua instituição, ainda mesmo que,
pôr isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.

Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo.

E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os
mundos.

Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta,
porque dia virá que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas. (3)

Bibliografia:

Amorim, Deolindo – “O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas”;

  1. Barbosa, Pedro Franco – “Espiritismo Básico”;
  2. Xavier, Francisco Cândido – “Religião dos Espíritos”, mens.
    “Doutrina Espírita”,
    pág. 229, 4a edição FEB – Rio de Janeiro –
    RJ.

Artigo publicado em Manaus, no jornal A Crítica de 09.10.1989, no
jornal A Crítica de 26.08.1995, no Rio de Janeiro em OReformador (FEB) de
Abril de 1996, no Acre, no Jornal Acre Espírita de Junho de 1996.

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