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O ateu melhor que o religioso

José Reis Chaves

A palavra religião vem do verbo latino religare, o que em Português quer dizer religar, ou seja, o retorno do homem a Deus, do qual ele se afastou pelo pecado, segundo as Teologias Cristãs. E, numa visão mais universal, esse afastamento do homem de Deus pelo pecado se deu, à proporção que ele, o homem, foi-se tornando psicozóico, isto é, intelectualizado, o que o foi tornando, também, egoísta, aguçando o seu ego. Veja nisso, prezado leitor, uma analogia com a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal da Bíblia.

Adão vem das palavras sânscritas: Adi – primeiro – e Ahan – ego, ou seja, o primeiro homem dotado de ego. E isso até nos leva a crer que o autor do Livro de Gêneses – Moisés? – conhecia a Cultura Antiga Indiana.

É o nosso ego representado pela nossa pessoa como tal, e constitui-se no maior adversário do nosso Eu Interior ou o espírito que somos, já que ele, o ego, é os nossos próprios diabos internos.Uma frase de São Paulo mostra-nos o seu grande poder: “Acabo fazendo o que não quero”.

Com efeito, esse ego está muito presente, também, nas nossas próprias religiões e crenças, principalmente no orgulho e no fanatismo envolvendo nossa fé. Inclusive os teólogos cristãos e judeus – vítimas desse próprio ego seu – cochilaram em cima dessa questão, enquanto que os das religiões orientais, principalmente, deram prioridade à disciplina dele.Se o Cristianismo tivesse levado mais a sério esse assunto certamente teríamos hoje um mundo menos egoísta, com menos violência, mais justiça, mais paz, mais amor, em síntese, com menos diabos do nosso ego.

Já vimos que ele está presente também nas religiões. E isso, principalmente, no fanatismo. Fanático vem do Grego: fanos, templo, que é justamente uma das principais características exteriores duma religião. E é a essas partes externas religiosas que mais se prende o fanático. É isso que o arrasta ao desamor. Adeptos e até dirigentes de todas as religiões têm-se deixado levar por ele, o que sempre provocou em todo o mundo desarmonias, divisões de todo tipo, longas e sangrentas guerras, e ainda até atos de terrorismo em várias partes do mundo, envolvendo sectários de várias religiões, como todos o sabemos.

São João, em sua Primeira Carta, 4, 20, afirma: “Quem diz que ama a Deus, mas não ama seu próximo, é mentiroso”. E é um fato que o fanático religioso – quando não odeia as pessoas que não comungam as suas idéias religiosas -, pelo menos não as ama. Considera-as todas condenadas, podendo estar entre elas até sua própria mãe, pai um filho ou filha, com o que ele não se incomoda, pois, egoísta que é em toda a acepção da palavra, só a sua própria salvação basta-lhe para ser feliz! Curiosamente, ele não se dá conta do quanto isso é mesquinho. E ainda ele se considera cristão exemplar! Sua religião arrasta-o, assim, à mais vil e cruel atitude de egoísmo e de total falta de amor, ridicularizando-se a si mesmo, seus companheiros de fé e o seu próprio Deus em que crê.

Ora, nesse caso, é preferível ser ateu a ser um religioso fanático!

Autor de “A Face Oculta das Religiões”, Editora Martin Claret . E-mail: escritorchaves@ig.com.br Tel/fax (31) 3373-6870.

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