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O Passe Espírita

O Passe Espírita

“E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem
aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades
fugiam das suas vítimas, e os Espíritos malignos se retiravam”
– (Atos, cap.
19 – 11 e 12).

O que é o passe

Desde os tempos mais antigos, a imposição das mãos é uma das fórmulas usadas
pelas pessoas para auxiliar os enfermos ou afastar deles as más influências espirituais.
Em muitos trechos da Bíblia, vemos Jesus e seus discípulos imporem as mãos sobre
os necessitados, rogando a Deus que os curassem. Jesus fez largo uso dessa prática
e disse que, se quiséssemos, poderíamos fazer o mesmo.

E desde aquele tempo o homem utiliza-se desse recurso para aliviar, consolar,
melhorar e até curar doenças físicas e espirituais.

Antes do advento do Espiritismo, sabia-se pouco sobre a prática desse costume.
Os fenômenos de curas eram envoltos em mistérios e tidos como acontecimentos sobrenaturais.
Ao menos publicamente, ninguém se aventurou a dar explicações para o estranho poder
que tinham as mãos para curar e aliviar os males físicos e espirituais. Com a chegada
da Doutrina Espírita, os Espíritos superiores explicaram o porquê das coisas. Ensinaram
que as mãos serviam como um instrumento para a projeção de fluidos magnetizados,
doados pelo operador, e fluidos espirituais, trazidos pelos Espíritos. Segundo eles,
os fluidos curativos eram absorvidos pela pessoa necessitada por meio dos centros
vitais (chacras), acumuladores e distribuidores de energias, localizados no perispírito
e pelo próprio corpo astral que age como uma esponja. Estavam assim explicadas,
teoricamente, as curas promovidas por Jesus e pelos curadores de todos os tempos.

Entre nós, seguidores de Allan Kardec, a imposição de mãos sobre uma criatura
com a intenção de aliviar sofrimentos, curá-la de algum mal, ou simplesmente fortalecê-la,
ficou conhecida como “passe”.

O passe é um dos métodos utilizados nos centros espíritas para o alívio ou cura
dos sofrimentos das pessoas. Quando ministrado com fé, o passe é capaz de produzir
verdadeiros prodígios. Têm como objetivo o reequilíbrio do corpo físico e espiritual.

O passista

O passista é aquele que ministra o passe. Ser um passista espírita é uma tarefa
de grande responsabilidade, pois trata-se de ajudar e abençoar as pessoas em nome
de Deus. Pessoas carentes e sedentas de melhoria, procuram no centro espírita o
recurso do passe como forma de alívio das pressões psicológicas e sustentação para
suas forças morais e físicas.

O passista não precisa ser um santo, mas necessita esforçar-se na melhoria íntima
e no aprendizado intelectual. Armado do desejo sincero de servir, quase todos os
iniciantes podem trabalhar neste sagrado ministério. O passista deve procurar viver
uma vida sadia, tanto física quanto moralmente. Aos poucos, os vícios terrenos têm
que ceder lugar às virtudes. O uso do cigarro e da bebida devem ser evitados. Como
o passista doa de si uma parte dos fluidos que vão fortalecer o lado material e
espiritual do necessitado, esses fluidos precisam estar limpos de vibrações deletérias
oriundas de vícios.

No aspecto mental, o passista deve cultivar bons pensamentos no seu dia-a-dia.
O orgulho, o egoísmo, a maledicência, a sensualidade exagerada e a violência nas
atitudes devem ser combatidos constantemente. A Espiritualidade superior associa
equipes de Benfeitores aos trabalhadores que se esforçam, multiplicando-lhes a capacidade
de serviço.

A fé racional e a certeza no amparo dos bons Espíritos são sentimentos que devem
estar presentes no coração de todos os passistas. É fundamental no trabalho de passe,
doar-se com sinceridade à tarefa sob sua responsabilidade, vendo em todo sofredor
uma alma carente de amparo e orientação.

O passista não deve ter preferência por quem quer que seja. Seu auxílio deve
ser igualmente distribuído a todas as criaturas. As elevadas condições morais do
passista são fundamentais para que ele consiga obter um resultado satisfatório no
serviço do passe.

Portanto, todos podemos ministrar passes, porém é necessário um mínimo preparo
moral a fim de que a ajuda seja o mais eficaz possível. Como todas as tarefas realizadas
dentro do centro espírita, esta também carece de cuidados e atenção por parte de
quem se propõe a executá-la.

“Como a todos é dado apelar aos bons Espíritos, orar e querer o bem, muitas
vezes basta impor as mãos sobre a dor para a acalmar; é o que pode fazer qualquer
um, se trouxer a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus”
– (Allan Kardec
– Revista Espírita, Setembro, 1865).

O que é necessário para ser um bom passista?

Allan Kardec nos instrui a respeito: “A primeira condição para isto é trabalhar
em sua própria depuração (moral e ética), a fim de não alterar os fluidos salutares
que está encarregado de transmitir. Esta condição não poderia ser executada sem
o mais completo desinteresse material e moral. O primeiro é o mais fácil, e o segundo
é o mais raro, porque o orgulho e o egoísmo são sentimentos difíceis de se extirpar,
e porque várias causas contribuem para os superexcitar nos médiuns”
– (Allan
Kardec – Revista Espírita, Novembro, 1866).

Condições básicas para o exercício do passe espírita

Fé; Amor ao próximo; Disciplina; Vontade; Conhecimento; Equilíbrio psíquico;
Humildade; Devotamento; Abnegação.

“Se pretendes, pois guardar as vantagens do passe, que em substância, é ato
sublime de fraternidade cristã, purifica o sentimento e o raciocínio, o coração
e o cérebro” –
(Espírito Emmanuel, no livro Segue-me).

Fatores negativos físicos, que prejudicam os resultados
do passe

Uso do fumo e do álcool ; Desequilíbrio nervoso; Alimentos inadequados.

Fatores negativos espirituais/morais

Mágoas, más paixões, egoísmo, orgulho, vaidade, cupidez, vida desonesta, adultério
etc.

“O fluido humano está sempre mais ou menos impregnado de impurezas físicas
e morais do encarnado; o dos bons Espíritos é necessariamente mais puro e, por isto
mesmo, tem propriedades mais ativas, que acarretam uma cura mais pronta. Mas, passando
através do encarnado pode alterar-se. Daí, para todo médium curador, a necessidade
de trabalhar para seu melhoramento moral”
– (Allan Kardec – Revista Espírita,
Setembro, 1865).

Tipos de passes

Os passes podem ser classificados em três categorias: Passe magnético, Passe
espiritual e Passe misto.

Passe magnético

É um tipo de passe em que a pessoa doa apenas seus fluidos, utilizando a força
magnética existente no próprio corpo perispiritual. Pelo menos em tese, qualquer
criatura pode ministrá-lo. Suas qualidades variam segundo a condição moral do passista,
sua capacidade de doar fluidos e seu desejo sincero de amparar o próximo.

No passe magnético, geralmente se recebe assistência espiritual. Isso acontece
porque os Espíritos superiores sempre ajudam aqueles que, imbuídos de boa vontade,
atendem aos mais carentes.

Lembramos aqui, que o socorro dos Benfeitores é independente da crença que o
passista ou magnetizador possa ter em Deus ou na Espiritualidade. Os Espíritos disseram
a Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, questão 176 : “…muito embora uma
pessoa desejosa de fazer o bem não acredite em Deus, Deus acredita nela”.

Passe espiritual

É uma espécie de magnetização feita pelos bons Espíritos, sem intermediários,
diretamente no perispírito das pessoas enfermas ou perturbadas. No passe espiritual
o necessitado não recebe fluidos magnéticos de médiuns, mas outros, mais finos e
puros, trazidos dos planos superiores da Vida, pelo Espírito que veio assisti-lo.

Pelo fato de não estar misturado ao fluido animalizado, o passe espiritual é
bem mais limitado que as outras modalidades de passes. Com isso, pode-se compreender
que os recursos oferecidos nas reuniões públicas de Espiritismo, onde participam
grande quantidade de encarnados e Espíritos desencarnados, são bem maiores do que
aqueles que podemos contar em nossas residências, só com a ajuda do anjo guardião.

Passe misto

É uma modalidade de passe onde se misturam os fluidos do passista com os da Espiritualidade.
A combinação é muito maior do que no passe puramente magnético e seus efeitos bem
mais salutares. Este é o tipo de passe que é aplicado nos centros espíritas, contando
com a ajuda de equipes espirituais que trabalham nessa área, para ajuda dos necessitados.

Os benfeitores espirituais comparecem no momento do passe, atendendo aos encarnados
e também ministrando eficiente socorro às entidades do plano espiritual. Eles agem
aumentando, dirigindo e qualificando nossos fluidos.

Mas para que se possa contar sempre com a ajuda dos bons Espíritos, é necessário
observar os cuidados já ditos anteriormente sobre a depuração íntima de cada um
dos que estão imbuídos do desejo de fazer o bem.

“…Para curar pela ação fluídica, os fluidos mais depurados são os mais saudáveis;
desde que esses fluidos benéficos são dos Espíritos superiores, então é o concurso
deles que é preciso obter. Por isto a prece e a evocação são necessárias. Mas para
orar e, sobretudo, orar com fervor, é preciso fé. Para que a prece seja escutada
é preciso que seja feita com humildade e dilatada por um real sentimento de benevolência
e de caridade. Ora, não há verdadeira caridade sem devotamento, nem devotamento
sem desinteresse”
– (Allan Kardec – Revista Espírita, Janeiro, 1864).

O passe no centro espírita

O passe destina-se ao tratamento e profilaxia de enfermidades físicas e espirituais
junto aos necessitados que procuram o centro espírita. A equipe de passistas deve
estar alinhada no mesmo pensamento de ajudar essas pessoas carentes de amparo.

O serviço de aplicação do passe requer critério, discernimento, responsabilidade
e conhecimento doutrinário. É um complemento aos recursos de automelhoramento e
de reeducação espiritual utilizados normalmente.

A Técnica do Passe Espírita

Há uma certa discussão no meio espírita sobre como deveria ser aplicado o passe.
Alguns defendem a tese de que os passes deveriam ser ministrados movimentando-se
as mãos ao redor do corpo do indivíduo, de modo que as energias espirituais pudessem
melhor atingir seus objetivos de cura. Outros, acham que o ato de apenas impor as
mãos sobre a cabeça de quem vai receber o passe já é suficiente.

André Luiz nos informa em “Conduta Espírita” que o passe dispensa qualquer recurso
espetacular. José Herculano Pires, no livro “Mediunidade”, diz que o passe é tão
simples que não se pode fazer nada mais do que dá-lo.

Allan Kardec, referindo-se ao assunto na Revista Espírita, número de Setembro
de 1865, diz aos médiuns que: “Apenas sua ignorância lhes faz crer na influência
desta ou daquela forma. Às vezes, mesmo, a isto misturam práticas evidentemente
supersticiosas, às quais se deve emprestar o valor que merecem”.

Oficialmente, a Doutrina Espírita não prescreve uma metodologia para o passe.
Cada grupo é livre para se posicionar de um modo ou de outro, desde que sem exageros.
A técnica deve ser o mais simples possível, evitando-se fórmulas, exageros e gesticulação
em torno do paciente. Cada grupo deve ter o bom senso de trabalhar da forma que
achar mais conveniente desde que dentro de uma fundamentação doutrinária lógica.

O que é preciso levar em conta é que nenhuma das duas formas de aplicar o passe
surtirá efeito se o médium não tiver dentro de si a vontade de ajudar e condições
morais salutares para concretizá-lo. Mesmo que se aplique a melhor metodologia,
não se conseguirão bons resultados se o passista for pessoa de má índole.

Quando o Passe deve ser aplicado?

A variação das condições fluídicas perispirituais de qualquer criatura viva produz
desequilíbrios orgânicos e psicológicos, que podem dar origem a enfermidades. Alterações
psicológicas ou traumas orgânicos podem provocar mudanças fluídicas na camada exterior
do perispírito, agravando doenças ou iniciando estados mórbidos. Daí, a importância
da terapia energética dos passes como tratamento, mas principalmente como profilaxia
das enfermidades. Por isso o passe deve ser aplicado regularmente, desde que seja
esclarecido que o procedimento não é obrigatório, para desvinculá-lo de ritual ou
dogma.

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