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O Reino de Deus e a Sua Justiça

O Reino de Deus e a Sua Justiça

Quando Jesus de Nazaré afirmou: … procurai em primeiro lugar o Reino de
Deus e a sua Justiça, e tudo o mais lhe será dado por acréscimo de misericórdia,
ele quis mostrar ao homem a necessidade de se auto conhecer, pois, num outro
passo do seu Evangelho, ele afirma imperativamente: “ O Reino de Deus está
dentro de vós”.

Ora, se temos que procurar em primeiro lugar o Reino de Deus, e se sabemos
que este Reino está dentro de nós, precisamos nos interiorizar, precisamos ser
psiconautas e explorar o nosso mundo interior, as vezes tão sombrio, assustador
e desconhecido, quanto os planetas, também, desconhecidos, do nosso sistema
solar e outros.

Contudo não basta procurar e descobrir o Reino dentro de nós, porque
precisamos procurar também a sua justiça. O que seria essa justiça? Seria um
juiz togado e a corte de advogados e promotores? Não! Está em nossa consciência
que devemos ser bons, humildes, justos, diligentes, caridosos, amorosos para
conosco mesmo e para com o nosso próximo. Precisamos aprender a perdoar setenta
vezes sete vezes, a fazer as pazes com o adversário, a não resistir ao homem
mau, a não julgar, a não prevaricar, a fazer todo o bem que estiver ao nosso
alcance, e ser a luz do mundo e o sal da terra.

Jesus de Nazaré não mandou que fizéssemos apenas, pois, antes ele
exemplificou cada uma dessas situações, culminando com o perdão ao bradar com o
que lhe restava das forças orgânicas no alto da cruz: Pai, perdoai-os, pois eles
não sabem o que fazem.

Por muito tempo continuamos sem saber o que fazíamos, porque, em nome dele
declaramos guerras santas, abençoamos armas e destruímos inimigos da fé. Em nome
dele expoliamos os fracos e criamos a Santa Inquisição para salvar as almas,
mesmo destruindo os seus corpos.

1.850 anos depois, em nome do amor, o Espiritismo chegou à Terra quando mais
precisávamos dele, pois agora éramos aristocratas do pensamento, e dominávamos
as cátedras universitárias ou os seus bancos escolares, e já não podíamos
acreditar num Deus impotente para dominar a sua criação e que apresentava tantos
defeitos de caráter quanto os nossos. O chique, então, era ser materialista, e
nossa inteligência gritava: A matéria, somente a matéria é real e é soberana.

Ele chegou de mansinho, como o orvalho da madrugada beijando a pétala da
flor. Ele chegou de mansinho como o sol da manhã que seca a lágrima da madrugada
num rocio de amor, sem machucar a delicada pétala. Ele chegou de mansinho e nos
revelou o Deus – Pai justo e bom, que nos criou imortais da luz das estrelas e
destinou-nos à perfeição.

O Espiritismo revelou-nos a imortalidade dinâmica – a lei de causa e efeito –
a dinâmica da caridade capaz de salvar o mundo – a fé baseada na razão e
sepultou para sempre o Crê ou Morre. Afastou do nosso íntimo o medo da morte,
provando que há vida após a vida. E com um só golpe matou a morte. Homens!
Rejubilai-vos! A morte morreu! Quem foi capaz de matar essa megera que deixa o
berço vazio e o coração em pranto? Responde Jesus Gonçalves, o poeta hanseniano
de Pirapitingui – Quem matou a morte? Foi o Espiritismo.

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