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Visão Espírita do Idoso – VI – Conclusão I

Visão Espírita do Idoso – VI – Conclusão I

No desenvolvimento de um plano de trabalho alguns pontos foram trabalhados
evidenciando situações conhecidas:

  • indivíduos que caminham velozmente para o envelhecimento
  • outros que em idênticas condições de vida, apresentam verdadeiras
    renovações em seu metabolismo
  • a situação difícil quando há o comprometimento da inteligência e do
    raciocínio com reflexos mais ou menos intensos
  • importância de se manter o idoso junto a família, uma vez que, o núcleo
    familiar, mesmo quando o Espírito aparentemente pareça não percebê-la ou até
    mesmo portar-se em relação a ela, de forma hostil, representa-lhe nutrição tão
    importante quanto aquela dirigida à criança que está formando uma mentalidade,
    iniciando uma nova romagem.

Enfatizou-se a necessidade do desenvolvimento da capacidade de adaptação, que
de certo modo, será difícil de ser trabalhada quando já nessa idade avançada.

Daí a importância dos “futuros idosos”, na fase em que cada qual se encontra
hoje, meditar, fazer planos para essa fase natural, com entendimento,
compreensão frente ao panorama da imortalidade onde não terá lugar velhice
ociosa, contemplativa, sem movimento, trabalho, sonhos, planos, ideais,
privacidade e compromissos, claro e justo que, adaptado às condições físicas e
psicológicas do momento. Isso pressupõe nutrir as próprias fontes de energia com
equilíbrio, justeza e bom senso, ocupando os velozes minutos com atividades
significantes sempre produtivas.

Se entendermos que os dias de agora são semeadura para o futuro, encontrar
nesse porvir, felicidade, plenitude, dependerá do desenvolver das qualidades
positivas do que se está fazendo hoje, onde estruturas psicológicas
dignificantes, sedimentadas, proporcionarão viver esse movimento natural da
idade sem tantas desordens e desentendimentos. Nessa etapa preparatória de uma
nova vida “(…) saibamos atravessá-la com naturalidade e harmonia, a fim de
colhermos e apreciarmos as belezas de uma nova aurora”.

Levando-se em conta que a expectativa de vida, especialmente nos países
desenvolvidos aumenta consideravelmente, em futuro próximo, acentuado número de
pessoas atingirão oitenta, noventa anos ou mais em satisfatório estado de saúde
física e mental. Diante de perspectiva tão importante, há inúmeros programas
preocupados com medidas preventivas não só para a população já idosa, mas
visando aqueles que poderão atingir essa faixa etária.

No Brasil, segundo recente estudo, o grupo acima dos sessenta anos é o que
mais cresce, reafirmando que é tempo de se olhar de nova forma, a idade que
chega com seus benefícios, necessidades e desafios.

Nesse objetivo o “Programa de Educação Sanitária da Sociedade Brasileira de
Psiquiatria Clínica”, oferece algumas reflexões, mais ou menos no sentido que
segue. Ressalta que: o chegar da idade trás mudanças que desafiando o bem-estar
físico e mental, incluem:

  • mudanças de papéis
  • mudanças de padrões familiares, de amizades e outras relações sociais
  • mudança na situação econômica
  • mudança de comportamento, de corpo e mente
  • mudança de interesses e de oportunidades

Com relação as mudanças de papéis, esta exigirá que o idoso aprenda
sua nova forma de atuar na sociedade para obter suas respostas e manter seus
direitos correspondentes. Vejamos: a oportunidade dá-lhe a vantagem de não mais
ter que acordar ao toque do despertador; dispor do tempo, viajar, visitar
lugares, encontrar pessoas diferentes, desfrutar novas experiências, dedicar-se
a atividades interessantes e que até podem ao mesmo tempo ser úteis à
comunidade, nas várias formas participativas que o trabalho voluntário oferece.

De modo geral, frente a tantas opções não se sabe por onde começar, a quem
procurar. Um bom começo, são os programas oferecidos pelos serviços públicos de
Assistência Social, todos agrupando amplo oferecimento de opções intelectuais,
físicas, sociais, variadas, abrangentes e enriquecedoras.

 

Mudanças de padrões familiares, de amizade e de relações sociais – Na
maioria das vezes, nessa faixa se é avô ou avó. Como tal já se sentiu a alegria
da visita dos netos “(…) e o prazer de devolvê-los aos pais ao fim de animada
reunião familiar (…)”. De qualquer modo, esse espaço entre gerações oferece
oportunidade de desfrutar o crescimento dos mais jovens que funcionarão como
veículo atualizador do mundo, dos costumes, dos hábitos e alterações naturais da
sociedade que muda.

Para eles, o avô/avó representará o vínculo deles com o passado onde a
história tem vida porque esse antepassado faz parte dela. O jovem ao ouvir esses
fatos, esses “casos” entram em contato com a história das próprias raízes e num
futuro repetirão aos filhos esses fatos que referenciam, identificam aquela
família.

O grande temor, muitas vezes, nessa idade é tornar-se repetitivo, maçante. Já
ensinava o poeta “(…) se somos interessados, somos interessantes (…)”. Daí a
importância da atualização. Talvez tenha chegado a hora de escrever livros,
artigos em jornais, desenvolver conhecimentos de informática, entrar em salas de
conversas, “navegar”, viajar em museus ou outras áreas de interesse,
alfabetizar-se, aprender a tocar algum instrumento musical, auxiliar o
semelhante nos trabalhos comunitários, ser ou tornar-se curioso nesse sentido do
conhecer, enfim, ativo, saudável, encantador, integrado nas dificuldades e
vitórias familiares, sem perder, abdicar ou anular suas atividades e
interesses pessoais. Há que se ter esse cuidado de, em meio ao corre-corre
familiar, preservar, manter os interesses particulares onde o dia surge, nasce
no segredo do maravilhoso, na expectativa dos acontecimentos reais que estão se
sucedendo.

 

Por que é importante criar ou defender essa individualidade?

 

De modo geral, no transcorrer dos dias, no criar filhos, nos acontecimentos
que se sucedem, corre-se o risco de absorver ou ser absorvido pelas
circunstâncias, onde a individualidade, o pessoal, como que, vai se ofuscando,
perdendo ou camuflando as características próprias. Essas possibilidades
aumentam ou agravam quando os filhos se casam indo morar em suas próprias casas
ou pior, permanecendo no próprio lar dos pais. Em “Você e o remédio” encontramos
um parágrafo que sintetiza essa situação: “(…) Há anos vem sendo a atriz/o
ator coadjuvante, mais importante de sua vida. Há muito tempo deixou de ser a
atriz/ator principal da sua existência. Hoje idosa/idoso precisa de uma nova
identidade”.

Em síntese, ressalta-se a necessidade dos interesses próprios, envolventes,
possibilitadores dos sonhos, compromissos, idéias e planos que levam a esperar
com entusiasmo os dias que se sucedem.

Mas, e os filhos? Estão começando a vida? Têm necessidades, precisam
trabalhar?

A mãe de André Luiz em “Nosso Lar”, sinaliza exemplo sutil nesse sentido.
Vivendo em planos superiores, poderia movimentar méritos e “tirar” o filho das
dores umbralinas? Poderia suspender compromissos pessoais para ficar ali ao lado
do filho? Foi insensível ao deixá-lo? Que decisões toma? Como é entendido o
Amor?

Desse modo, não se trata de abandonar, mas respeitar, deixando-os viver seus
compromissos e experiências. Se procurando socorrê-los na medida do possível até
que adquiram fôlego, afastando-se para que possam trabalhar as próprias
experiências, aprender crescer, esforçar-se nas superações que levarão sem
dúvida, a maior estabilidade no campo emocional.

Mas, e os netos? E a filha que espaça suas visitas? E o filho que não
telefonou? Netos são responsabilidades que cabem aos pais e mágoas com os filhos
não valem a pena guardar, pois à próxima chegada deles elas se dissipam no
coração que se derrete.

Isso não seria um colocar-se à margem, indiferente, impessoal, frio?

Não é esse o sentido. Manter a individualidade é preservar os próprios sonhos
não se imiscuindo nos dos outros. Interessar-se sim, ser dinâmico, vivo,
participante sem absorver a realidade do outro. Compartilhar da necessidade ou
do entusiasmo deles onde na preservação e respeito à própria identidade serão
boa companhia uns para os outros.

Nessa busca, nesse planejamento de uma vida pessoal plena de interesses há
vários outros canais abertos, não só para contato com os membros da família, mas
conhecimentos, amizades novas ou velhas – o telefone, a internet, a igreja, a
sinagoga, o centro espírita, o barbeiro, o cabeleireiro, o banco, enfim, tantos
contatos, onde o importante como ser social que se é, será estar com outras
pessoas compartilhando interesses, prazeres ou até mesmo preocupações. Idade
avançada mais que nunca é momento de se expandir relações sociais onde as
seleções naturais que se processam, vão estruturando grupos prazerosos que,
atendendo a um momento especial, mantém o entusiasmo de fazer coisas no contacto
vivo de uns para com os outros.

 

Mudança de situação econômica – Alguns podem se apresentar com boa renda,
ou ainda aposentados, dedicar-se a outros afazeres adquirindo verba adicional.
Estes seriam os idosos “jovens”, física e mentalmente cheios de vigor que,
continuando a produzir não sentirão tantas pressões, inclusive a financeira. De
modo geral, os recursos sendo limitados, a situação preocupa e obrigará o idoso
a selecionar lugar para morar, transporte, compras. Para passeios, buscar os
descontos ocasionais oferecidos, os transportes públicos, teatros, museus,
restaurantes, cinemas, clubes de bairro, associações, enfim, benefícios que
ajudam a desfrutar a vida, com um preço menor.

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(Jornal Verdade e Luz Nº 183 de Abril de 2001)

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