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Aporte Guérin

Leymarie, representante legal do legado de Allan Kardec ao assumir a tarefa de administrar a continuidade de suas obras, em troca de recursos financeiros, cedeu às investidas de Jean Guérin, o mais próximo e fiel seguidor do rico advogado Jean-Baptiste Roustaing, que lhe conferiu a missão de gerir milhares de francos para fazer sua obra, Os Quatro Evangelhos, sobrepor-se às de Allan Kardec, na divulgação do Espiritismo.

Roustaing acreditou nos espíritos que ditaram essa obra, que afirmaram ser ele o verdadeiro messias da moral espírita, devendo dar início a uma suposta fase teológica, quando o Espiritismo deveria, segundo esses inimigos invisíveis, tornar-se uma religião constituída. Segundo esses falsos profetas, a tarefa do Espiritismo estaria em levar de volta todos para a Igreja, sob o comando de um chefe papal.

Defendendo esses verdadeiros delírios, Guérin fez uso da fortuna a ele confiada para infiltrar essas ideias no movimento espírita, tomando como servidor de seus interesses, Pierre Leymarie.

Conforme anunciou a pesquisadora Simoni Privato, em sua obra O Legado de Allan Kardec, oferecendo em troca um terreno com uma casa e jardim em Bordéus, Guérin tomou posse de 216 ações da Sociedade Anônima, detentora dos direitos sobre as obras de Kardec, tornando-se sócio majoritário.

Na página 243 de O Legado de Allan Kardec, consta a imagem da primeira página do instrumento jurídico de 20 de fevereiro de 1883 que formaliza a contribuição do imóvel em troca das ações, encontrado nos Arquivos nacionais da França.

A ata que registra esse aporte de capital foi registrada em 26 de março de 1883, tratando-se do documento aqui reproduzido. Os fatos que se sucederam a essa infame negociação estão na obra Autonomia – a história jamais contada do Espiritismo.

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